quarta-feira, 9 de setembro de 2015

Futebol feminino: clubes cedem escudo, mas apoio é garantido pelo Poder Público

O time de futebol feminino da Marinha do Brasil já usou a camisa do Vasco, do Botafogo e defende o título pelo Flamengo. Em menos de cinco anos, foram três clubes. Não é só a equipe das Forças Armadas que recorre aos times vinculados às federações para viabilizar a disputa em campeonatos locais ou nacionais. Duas equipes paulistas – São José e Ferroviária –, que também irão disputar o Brasileiro Feminino, carregam o escudo dos clubes, mas, na prática, só recebem o apoio financeiro da prefeitura e de patrocinadores. Embora não utilizem a mesma infraestrutura disponível para os homens e não recebam recursos, as mulheres herdam a apaixonada torcida dos clubes tradicionais.

Persistência de jogadoras contribuiu para crescimento do futebol feminino

Os megaeventos esportivos no Brasil, a retomada do Campeonato Brasileiro Feminino, os investimentos do governo federal e a formação da Seleção Feminina Permanente são fatores que contribuíram para a situação de maior visibilidade do futebol de mulheres hoje. A avaliação de que houve melhorias na modalidade foi feita por treinadores e jogadoras entrevistados.

Professora da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e especialista na temática mulher e esporte, Silvana Goellner acrescenta um fator à lista: a persistência e a dedicação das atletas.

Realidade de times femininos vai de atletas sem chuteiras a clubes bem equipados

Rafael Ribeiro/Divulgação CBF
Vinte times de futebol feminino, de 14 estados, iniciaram a disputa pelo título de campeão brasileiro no dia 7 de setembro. Durante dois meses, as equipes vão participar do campeonato que ocorre anualmente desde 2013 e é organizado pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF). Pela primeira vez, os jogos poderão ser assistidos em TV aberta. A transmissão pela TV Brasil começa na quarta-feira (9) com a partida entre Santos e Pinheirense, às 15h.

Entre os times, condições bem diferentes de preparação. No Maranhão, o Esporte Clube Viana tem dificuldades para conseguir campo para treinar e as jogadoras não têm chuteiras. Já o Kindermann, de Santa Catarina, tem estrutura própria, como campo e alojamento, que garante a preparação das jogadoras. Nos dois casos, os times são os únicos a representar seus estados na competição.

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